segunda-feira, 7 de junho de 2010
As Poesias Mais Pavorosas da Humanidade - Parte II
AO POETA E AMIGO J. FELIZARDO JÚNIOR
Sabes quem foi Ahasverus?. .. —o precito,
O mísero Judeu, que tinha escrito
Na fronte o selo atroz!
Eterno viajor de eterna senda...
Espantado a fugir de tenda em tenda,
Fugindo embalde à vingadora voz!
Misérrimo! Correu o mundo inteiro,
E no mundo tão grande... o forasteiro
Não teve onde... pousar.
Co'a mão vazia—viu a terra cheia.
O deserto negou lhe —o grão de areia.
A gota d'água —rejeitou lhe o mar.
D'Asia as florestas—lhe negaram sombra
A savana sem fim—negou lhe alfombra.
O chão negou lhe o pó!...
Tabas, serralhos, tendas e solares...
Ninguém lhe abriu a porta de seus lares
E o triste seguiu só.
Viu povos de mil climas, viu mil raças,
E não pôde entre tantas populaças
Beijar uma só mão...
Desde a virgem do Norte à de Sevilhas,
Desde a inglesa à crioula das Antilhas
Não teve um coração!...
E caminhou!... E as tribos se afastavam
E as mulheres tremendo murmuravam
Com respeito e pavor.
Ai! Fazia tremer do vale à serra. ..
Ele que só pedia sobre a terra
— Silêncio, paz e amor! —
No entanto à noite, se o Hebreu passava,
Um murmúrio de inveja se elevava,
Desde a flor da campina ao colibri.
"Ele não morre", a multidão dizia...
E o precito consigo respondia:
— "Ai! mas nunca vivi!" —
_______________
O Gênio é como Ahasverus... solitário
A marchar, a marchar no itinerário
Sem termo do existir.
Invejado! a invejar os invejosos.
Vendo a sombra dos álamos frondosos...
E sempre a caminhar... sempre a seguir...
Pede u'a mão de amigo—dão lhe palmas:
Pede um beijo de amor— e as outras almas
Fogem pasmas de si.
E o mísero de glória em glória corre...
Mas quando a terra diz: — "Ele não morre"
Responde o desgraçado:—"Eu não vivi!. . ."
domingo, 16 de maio de 2010
NOVA SÉRIE DO PAVOROSO - AS POESIAS MAIS PAVOROSAS DA HUMANIDADE
O Fantasma e a Canção
Orgulho! desce os olhos dos céus
sobre ti mesmo, e vê como os nomes
mais poderosos vão se refugiar numa
canção.
BYRON.
— Quem bate? —"A noite é sombrio!"
—Quem bate?—"É rijo o tufão!...
Não ouvis? a ventania
Ladra à lua como um cão.
" —Quem bate?—"O nome qu'importa?
Chamo me dor... abre a porta!
Chamo me frio... abre o lar!
Dá me pão... chamo me fome!
Necessidade é o meu nome!"
— Mendigo! podes passar!
"Mulher, se eu falar, prometes
A porta abrir me?"—Talvez.
—"Olha... Nas cãs deste velho
Verás fanados lauréis
Há no meu crânio enrugado
O fundo sulco traçado
Pela c'roa imperial.
Foragido, errante espectro,
Meu cajado —já foi cetro!
Meus trapos — manto real!"
—Senhor, minha casa é pobre...
Ide bater a um solar!
—"De lá venho... O Rei fantasma
Baniram do próprio lar.
Nas largas escadarias,
Nas vetustas galerias,
Os pajens e as cortesãs
Cantavam!... Reinava a orgia!...
Festa' Festa! E ninguém via
O Rei coberto de cãs!"
—Fantasmas! Aos grandes, que tombam,
É palácio o mausoléu!
—"Silêncio! De longe eu venho. . .
Também meu túmulo morreu.
O séc'lo—traça que medra
Nos livros feitos de pedra —
Rói o mármore, cruel.
O tempo—Atila terrível
Quebra cota pata invisível
Sarcófago e capitel.
"Desgraça então para o espectro,
Quer seja Homero ou Solon,
Se, medindo a treva imensa
Vai bater ao Panteon...
O motim —Nero profano—
No ventre da cova insano
Mergulha os dedos cruéis.
Da guerra nos paroxismos
Se abismam mesmo os abismos
E o morto morre outra vez!
'Então, nas sombras infindas,
S'esbarram em confusão
Os fantasmas sem abrigo
Nem no espaço, nem no chão...
As almas angustiadas,
Como águias desaninhadas,
Gemendo voam no ar.
E enchem de vagos lamentos
As vagas negras dos ventos,
Os ventos do negro mar!
"Bati a todas as portas
Nem uma só me acolheu!...
—"Entra!—: Uma voz argentina
Dentro do lar respondeu.
—"Entra, pois! Sombra exilada,
Entra! O verso—é uma pousada
Aos reis que perdidos vão.
A estrofe —é a púrpura extrema,
Último trono—é o poema!
Último asilo— a Canção!. . . "
sábado, 1 de maio de 2010
Simetria das palavras

Tinha em uma das mãos uma xícara vazia e na outra um cigarro.
As horas no ponteiro passam como páginas vazias de um livro que não leio, e a solidão me abraça, sorrateiramente, e num balé simétrico, os olhos cerram, me convidando para mais uma dança entre mim e eu mesmo, no silêncio cabal que envolve aqueles que não têm outra opção a não ser ceder ao abraço do edredom.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Contando horas finais

Incrível como que quando estamos esperando algo, nos parece que tudo é ilusório, triste e perigoso, quando na verdade é só nossa imaginação nos pregando uma peça. Como uma forma de jogo... de teste, “pra” ver se realmente queremos lutar por aquilo... ou não.
A ironia disso tudo e de toda essa “balela” psiquiátrica e literária, é que nada disso tem a ver como o coração. Mas não o coração físico, mas o coração do sentimento. Quando falamos em coração, nos referimos, na verdade, a esse sentimento desconhecido que nos envolve, e que quase todos os poetas acreditam conhecer. Tolos!
A realidade é que ficamos “entre-tristes” e o maldito celular continua desnecessário, olhando “pra” mim e rindo, como se fizesse um “tic-tac” lento, mórbido e fatal... que só é feito “pra” mim.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
PORTAL CASEIRO PARA O INFERNO
Cuidado ao dormir com espelhos no seu quarto. O espelho nunca deve refletir quem está dormindo, mas isso não é nada perto da realidade. Ninguém pode imaginar o que tem do outro lado...
“No quarto, o espelho NUNCA deve refletir quem está dormindo.”, dizia a reportagem que ele estava lendo no tédio escuro e gelado do ônibus de volta pra casa. Desdenhou. Desdenhou como uma criança desdenha da outra, só porque acha que é melhor do eu o seu, mas não pode admitir isso.
As horas passam por ele como quem atravessa uma vidraça. E aquele pensamento o consumia por dentro: “(...) o espelho NUNCA deve refletir quem está dormindo.” – Meu Deus! Mas será porque isso? Parece até filme de terror, credo! – exclamou o assustado e desapontado rapaz, enquanto revirava seu medo em seu estômago.
A comida pela qual ele esperou a viagem inteira, ou quem sabe até o dia inteiro, já não tinha mais o mesmo gosto... nem o mesmo interesse pra ele.
Nem suas roupas tirou, acho que para não perturbar a paz de... do... melhor deixar isso tudo pra lá.
De repente, uma idéia o consumia: a de que o espelho seria SIM uma espécie portal para o mundo espiritual. – por que não seria assim? Pode ser. – conversava consigo mesmo o garoto, à espera talvez, de que alguma resposta lhe viesse de volta.
Nada!
Apenas silêncio!
O som das horas do relógio na cozinha o enlouquece, enquanto seu espírito entrava numa espécie de transe e passasse seu estado ao de um sonâmbulo, sonhando e vivendo tudo aquilo desesperadamente. Seu espírito se vê dormindo em sua própria cama e de seu corpo, fluía o seu espírito. Este o deixava como que se estivesse sendo forçado a entrar... mas logo em seguida, ele acordava. Sonhava acordado todos os segundos que se prolongaram diante de seus olhos.
Por fim, a hora derradeira: o sono!
Deitou-se meio que se forças mais para lutar contra seus pensamentos e ajeitou-se no lençóis. Fechou os olhos e respirou fundo. Como se fosse o último suspiro dentro de alguém.
Sonhou! Sonhou como nunca lembrava de ter sonhado e percebeu uma coisa: que na verdade, ele não “lembrava” mais seus sonhos, mas sim que estes o acompanhavam durante o pesado dia.
Percebeu também que na verdade, ele não era puxado por um portal, mas sim, que ele o buscava, ávido por encontrar lá dentro, um pouco de paz. O máximo que podiam fazer para ele era dar dicas de como ele, e somente ele, poderia resolver aqueles assuntos, e tentaram ficar lembrando de todos a ele. Daí sua rebeldia com seus pensamentos.
Tentou mais uma vez. Voltou a dormir... dessa vez, o sonho não foi muito agradável. Ele podia dizer isso tranquilamente, afinal de conta, ele estava ferido no braço. Trouxe essa lembrança com ele.
Aquilo o aterrorizou. Acordou em meio a gritos e decidiu que não dormiria mais naquele quarto enquanto o espelho não fosse retirado de lá durante o dia. Inútil!
Quando já não havia mais nada para ele fazer e se ocupar para esquecer, ele resolveu registra, de alguma forma, aquilo que estava acontecendo com ele. Para que servisse de exemplo para alguém no futuro.
E as horas quase param, num ecoar grave dentro de casa. Somente na minha cabeça.
Agora já não restam mais nem o bolo que jazia quieto na mesa da copa. Os cigarros já não são suficientes para fazê-lo suportar a espera pelo amanhecer. Se deixa levar pelo sono, inconscientemente.
Agora minhas aos escrevem essa história quase que mecanicamente... mal consigo manter meus olhos abertos... o espelho ganha um destaque na escuridão, um brilho estranho agora... e... e... eu... eu tenho que ir... tenho que ir...
Imagem: www.garimpandopoesia.blogspot.com
sábado, 14 de novembro de 2009
Não sei bem como começou...
11 de novembro de 2009
Foi tudo realmente muito estranho e rápido!
Comecei num lugar estranho, de praia, que lembrava muito o lugar onde moro hoje. Por alguma razão, conheci um rapaz com problemas mentais... cuidava dele no lugar onde ele vivia e o fazia com ajuda de uma Dra, de quem não me lembro o nome agora. Talvez nem mesmo o soubesse na ocasião.
Também conhecia uma garota, de cabelos meio castanho-claros, novinha, tipo da minha idade ou bem próximo. Estudávamos juntos não sei onde, mas era um cursinho desses que fazemos avulso, como um cursinho técnico ou de informática.
Houve uma vez em que, não me perguntem como, conheci um ator que meu irmão, Júnior, gosta muito, Silvester Stallone, o Rambo. Sim, eu sei. Isso é loucura! Mas nos sonhos, sabemos que tudo é possível. De alguma forma, aquilo tudo me parecia fazer tanto sentido que não procurei fundamentos em nada. Apenas me deixei levar pelos acontecimentos.
De alguma forma que eu não sei realmente como explicar, chamei meu irmão (e ele veio, apesar de tudo que já houve nesse meio-tempo) para conhecer seu ídolo.
Foi tudo ótimo! Conversamos sobre quase tudo, sobre nossas coisas, nossas derrotas e nossas conquistas. Falamos do passado... pensamos um pouco sobre tudo o que ocorreu, em como as coisas poderiam ter sido diferente e talvez até mais fáceis. Aquela melancolia linda e “batida”. O típico descontentamento com o passado, o incrível despertar dos arrependidos. É fascinante, em determinados momentos, como temos a capacidade de errar só para ter do que se lamentar depois, mesmo que isso ocorra de forma inconsciente.
Depois de uma longa caminhada e muita conversa com o nosso Silvester Stallone, retornamos para casa. Mas onde é essa casa...?
Nos sonhos, como já foi dito, tudo faz sentido. Nada é estranho ou anormal.
As conversas foram em inglês, língua nativa do nosso astro, que mesmo com alguma dificuldade, conseguimos levar adiante. Foi divertido conversar com ele.
Na volta para casa, mostrei a Júnior minha motinha nova. Uma moto meio velhinha, mas muito boa. Ainda não tive a oportunidade de usá-la devido a sua situação, mas isso não vem ao caso agora.
Em casa, procurei feito um louco por um de seus filmes, mas nada me fazia encontrá-lo. Queria poder dar de presente a meu irmão, o DVD de seu ídolo autografado, mas não consegui. Cheguei a falar com Júnior – não to conseguindo achar seu DVD do Rambo que eu roubei! – risos.
No caminho de volta, pegamos a moto e fui mostrar para ele. Levamos a moto conosco até certo ponto, um lugar bem próximo à praia, quase em frente a uma oficina. Encontrei com a Dra de quem falei há pouco. Ela tinha uma filhinha que adorou a moto e até comentou que gostaria muito de tê-la um dia. Todos riram e elas se foram.
Depois de algum tempo, percebemos que nosso astro não passava de um dos pacientes da clínica e que se parecia muito com o verdadeiro astro e falava muito bem o inglês, que aprendeu sozinho.
Foram momentos de muitas risadas e felicidade, como não me lembrava mais de ter tido um desses com meu irmão.
Caminhamos mais um pouco e ele seguiu seu caminho de volta para clínica. A Dra já havia deixado o local também, mas como disse antes, ela morava com a filha bem perto dali, na praia.
Agora não me recordo como nem quando, mas lembro de ter deixado meu irmão, ainda quando estávamos com nosso amigo da clínica, em casa com mamãe. Me lembro de ter ficado preocupado com a reação dos dois a se encontrarem depois de tanto tempo de separação, mas me surpreendi com o que vi. Foram segundos de susto, arrebatação e contentamento. Um momento memorável e bem fácil de se lembrar para sempre.
Depois disso, me lembro de ter voltado à rua, naquele mesmo ponto perto da praia, sozinho, para testar um pouco a moto antes de deixá-la na oficina. Liguei. Dei a partida e ela deu um solavanco, saindo sozinha, desgovernada e acelerada pela rua. Eu fiquei caído, apenas com alguns arranhões, morrendo de medo de alguém se machucar e também, confesso, com um pouco de vergonha do tombo que havia levado.
Saí correndo feito um louco maratonista atrás da bendita moto e fui parar na praia.
Nem sabia como encontrar a moto. O tempo foi passando e eu fui ficando cada vez mais preocupado com o que poderia ter acontecido com os outros e comigo também, afinal, claro que seria responsabilizado por qualquer coisa que acontecesse.
Lembro de ver várias pessoas correndo atrás da moto também, para pará-la e eu até me senti aliviado nessa hora.
Entrei em algumas casas que davam acesso à praia perguntando se alguém a havia visto, mas ninguém me respondia nada. Acabei encontrando com a minha amiga, a Dra de quem já falei e ela também se empenhou em me ajudar. Sua filha, que devia ter uns 7 anos ficou me olhando assustada, mas com alguma coisa no olhar que ainda não sei determinar o que era. Havia alguma coisa a mais naquele olhar. Não era apenas susto ou medo. Era algo mais.
Foi então que eu me peguei rogando a Deus por uma ajuda, uma luz. Não sei explicar o que senti naquele momento. Foi algo muito intenso, que me afeta até agora. Nesse momento em que escrevo essas palavras, o sentimento me toma por completo de novo. Me vejo novamente naquele instante, naquele momento.
Em menos de um segundo, já havia em mim a certeza de uma coisa. Algo que prefiro não comentar agora, mas senti uma presença.
Havia acabado de perguntar a dois ou três senhores que bebiam e conversavam ali e eles também não tinham uma resposta positiva para me dar. Viraram-se e continuaram com seu “happy-hour”.
Foi aí que tudo se deu.
Senti uma presença muito forte e boa ao mesmo tempo. Um conforto. Um acalento.
Me virei e vi minha mãe e meu irmão, juntos, meio que flutuando no espaço vazio da minha visão, ou seja lá como for. Entre estranhar aquilo e sentir alívio, não consegui pronunciar uma só palavra, mas não era necessário. Os dois sorriam para mim, felizes e calmos. Tenros como um bebê recém-nascido, e minha mãe veio a mim, me tocou de leve o ombro direito, com seus dedos longos e magros, suas unhas grandes e seus anéis que a enfeitavam ainda mais.
Realmente, não precisava dizer nada. Seu olhar já me respondia tudo, mas mesmo assim, entendendo minha situação “humana”, ela me disse: - Vi, procura na casa do médico. Está embaixo do carro vermelho.
Na hora eu não entendi e isso também já não era mais importante do que o que eu estava vendo naquele momento. E eu indaguei: - Não me diga que vocês...?
E ela, ternamente me respondeu: - não. Ainda não fiz minha escolha.
O mais intrigante de tudo isso era ver meu irmão ao seu lado, com aquele meio-sorriso de quem está em paz e feliz consigo mesmo. Não posso negar o conforto que aquilo me passou.
Ela insistiu que eu deveria voltar pelo mesmo caminho que já havia feito, mas para quê, se eu já havia estado lá e não conseguira nada? Voltei mesmo assim.
Encontrei com a minha amiga Dra e contei a ela que deveria procurar, debaixo de uma carro vermelho de médico. E ela, como quem cai em si mesmo, me disse que sabia exatamente como deveria agir, e assim o fez. Me indicou o caminho do tal carro vermelho e desapareceu por alguns instantes, retornando com um ou dois homens, não me lembro bem agora. Eu estava atrás do carro e os senhores estavam em frente a ele, empurrando-o.
Para minha surpresa, lá estava a moto. A retiramos de lá, felizes e realizados por não ter havido nenhum ferido, foi quando sua filhinha veio ao lado dela, confessando ter escondido com ajuda não sei de quem, a moto, para que fosse “dela”. Coisa de criança, fazer o que?
Deixei a casa e me voltei para meus pensamentos. Minha mãe e meu irmão estavam, enfim, em paz. Haviam feito a passagem. imaginei que talvez tivessem ingerido algum tipo de veneno ou sei lá o quê. Tentei, em meu sonho, na minha imaginação, criar uma explicação lógica para a única coisa que não segue nem lógica nem regras. Apenas ocorre.
Acordei desse sonho desesperado, e isso era real. Real demais para mim, talvez. Corri para o quarto de mamãe e lá estava ela, deitada. Quase morri nessa hora, nem preciso dizer qual foi o meu susto ao vê-la estendida lá na cama.
Sabia que já havia chegado seu momento. Percebi que era forte o bastante para suportar aquilo tudo, naquele momento e que precisava sê-lo. Mas só naquele momento. Sabia que depois que tudo passasse, que eu cairia. – tive a graça de vê-los uma última vez, felizes e bem, e ainda por cima, me ajudaram a encontrar o caminho certo. foi sua forma de se despedirem de mim. Me ajudando. Ambos.
Para minha surpresa, ao me ver na porta do seu quarto, minha mãe levantou devagarzinho a cabeça e disse meu nome: -Vi? Ta tudo bem?
Não tive como evitar que as lágrimas tomassem meu rosto e a emoção, meu corpo e minha alma.
Senti um alívio muito grande. Me joguei ao seu colo, que me acolheu como um recém-nascido e me confortou, sempre repetindo: - calma, tudo não passou de um sonho. Foi só um sonho! Já acabou, agora você ta bem, pode ficar tranqüilo. Nunca vi um sonho te afetar tanto assim antes, o que houve?
O que houve? Ela nunca saberá. Pelo menos, não por mim. Mas para mim, serviu como uma grande lição. Me mostrou o quão grande é o amor. E o quanto ele pode confortar, nessa ou em qualquer outra vida.
Seja em sonho ou não, o amor, realmente, sempre vence!
